{"id":692,"date":"2025-09-23T18:32:27","date_gmt":"2025-09-23T18:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catarinawodzik.adv.br\/?p=692"},"modified":"2025-09-23T18:32:28","modified_gmt":"2025-09-23T18:32:28","slug":"divorcio-extrajudicial-com-filhos-menores-agora-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catarinawodzik.adv.br\/?p=692","title":{"rendered":"Div\u00f3rcio extrajudicial com filhos menores: agora \u00e9 poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante muito tempo, a regra era clara: <strong>n\u00e3o se podia fazer div\u00f3rcio em cart\u00f3rio se o casal tivesse filhos menores ou incapazes<\/strong>. Nessas situa\u00e7\u00f5es, o caminho obrigat\u00f3rio era o div\u00f3rcio judicial, para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o juiz analisassem quest\u00f5es como guarda, visitas e pens\u00e3o aliment\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso mudou recentemente. O <strong>Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), por meio da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 571\/2024<\/strong>, autorizou a lavratura de <strong>escritura p\u00fablica de div\u00f3rcio extrajudicial mesmo quando h\u00e1 filhos menores<\/strong>, desde que <strong>as quest\u00f5es relativas a eles (guarda, alimentos e conviv\u00eancia) j\u00e1 tenham sido previamente resolvidas na Justi\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: hoje \u00e9 poss\u00edvel, sim, se divorciar em cart\u00f3rio mesmo tendo filhos menores \u2014 desde que a situa\u00e7\u00e3o deles j\u00e1 esteja resguardada por decis\u00e3o judicial pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posso me divorciar em cart\u00f3rio mesmo tendo filhos menores?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. Mas h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o: o casal precisa comprovar que <strong>j\u00e1 existe decis\u00e3o judicial definitiva<\/strong> sobre guarda, pens\u00e3o e conviv\u00eancia. Essa decis\u00e3o deve ser apresentada ao cart\u00f3rio e mencionada na escritura. Sem essa etapa pr\u00e9via, o cart\u00f3rio n\u00e3o pode lavrar o div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o CNJ autorizou essa mudan\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>O objetivo foi <strong>desburocratizar o processo de div\u00f3rcio<\/strong>, sem abrir m\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e do adolescente. Assim, quando o Judici\u00e1rio j\u00e1 cuidou das quest\u00f5es que envolvem os filhos, n\u00e3o faz sentido obrigar o casal a passar por mais uma a\u00e7\u00e3o judicial apenas para formalizar o fim do casamento.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E se o casal nunca entrou na Justi\u00e7a para tratar da guarda e da pens\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse caso, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ir direto ao cart\u00f3rio. O casal precisar\u00e1 primeiro ajuizar uma a\u00e7\u00e3o consensual de homologa\u00e7\u00e3o de guarda, alimentos e conviv\u00eancia. Uma vez homologado o acordo pelo juiz, abre-se o caminho para o div\u00f3rcio extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais documentos o cart\u00f3rio exige nesse tipo de div\u00f3rcio?<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos documentos pessoais usuais (RG, CPF, certid\u00e3o de casamento, pacto antenupcial, se houver), o casal deve apresentar:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>Decis\u00e3o judicial definitiva<\/strong> sobre guarda, alimentos e conviv\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Certid\u00e3o de nascimento dos filhos menores<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>Procura\u00e7\u00e3o p\u00fablica, caso um dos c\u00f4njuges n\u00e3o compare\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O tabeli\u00e3o deve registrar expressamente na escritura que as quest\u00f5es dos filhos j\u00e1 foram resolvidas judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E se a decis\u00e3o sobre os filhos ainda for provis\u00f3ria?<\/h2>\n\n\n\n<p>Decis\u00f5es provis\u00f3rias (como liminares ou tutelas de urg\u00eancia) <strong>n\u00e3o bastam<\/strong>. A Resolu\u00e7\u00e3o do CNJ exige que a quest\u00e3o esteja <strong>definitivamente resolvida<\/strong>. Se houver d\u00favida, o pr\u00f3prio cart\u00f3rio pode consultar o juiz que proferiu a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E se meus filhos j\u00e1 forem maiores de idade, mas ainda receberem pens\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Se os filhos s\u00e3o <strong>maiores de 18 anos<\/strong>, o div\u00f3rcio pode ser feito em cart\u00f3rio normalmente \u2014 mesmo que recebam pens\u00e3o. A exig\u00eancia s\u00f3 existe para filhos <strong>menores de idade ou incapazes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posso optar por fazer o div\u00f3rcio judicial mesmo tendo a op\u00e7\u00e3o em cart\u00f3rio?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. Mesmo que o casal preencha os requisitos para o div\u00f3rcio extrajudicial, <strong>\u00e9 poss\u00edvel escolher o caminho judicial<\/strong>. Muitas pessoas perguntam: <em>\u201cpreciso ir ao juiz para me divorciar?\u201d<\/em> ou <em>\u201cposso fazer meu div\u00f3rcio judicial mesmo se for amig\u00e1vel?\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta \u00e9: sim, voc\u00ea pode optar pelo <strong>div\u00f3rcio consensual judicial<\/strong>, especialmente se sentir mais seguran\u00e7a em ter a homologa\u00e7\u00e3o direta do juiz ou se j\u00e1 existir um processo judicial em andamento (como a\u00e7\u00e3o de guarda ou alimentos). Nessa via, o Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m participa quando h\u00e1 filhos menores, garantindo a prote\u00e7\u00e3o dos interesses da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, alguns casais preferem seguir judicialmente para centralizar tudo em um \u00fanico processo, principalmente quando h\u00e1 bens a partilhar ou d\u00favidas quanto aos termos do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que esse cuidado \u00e9 importante?<\/h2>\n\n\n\n<p>Porque o <strong>princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente<\/strong> (art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) exige que qualquer decis\u00e3o envolvendo menores passe por controle judicial. O div\u00f3rcio extrajudicial s\u00f3 \u00e9 autorizado quando essa etapa j\u00e1 foi cumprida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc <strong>Conclus\u00e3o:<\/strong> hoje, gra\u00e7as \u00e0 mudan\u00e7a promovida pelo CNJ, o div\u00f3rcio extrajudicial pode ser feito mesmo quando h\u00e1 filhos menores \u2014 mas apenas se guarda, alimentos e visitas j\u00e1 tiverem sido resolvidos judicialmente. Isso representa um grande avan\u00e7o, pois permite que casais que j\u00e1 superaram essas quest\u00f5es fa\u00e7am o div\u00f3rcio de forma <strong>mais r\u00e1pida, menos burocr\u00e1tica e com seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udca1 <strong>Se voc\u00ea est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o e deseja entender se pode se divorciar diretamente em cart\u00f3rio ou se precisar\u00e1 primeiro de uma homologa\u00e7\u00e3o judicial, entre em contato comigo. Atuo na \u00e1rea de Direito de Fam\u00edlia e posso analisar seu caso de forma personalizada.<\/strong> (31)97162-5961<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo, a regra era clara: n\u00e3o se podia fazer div\u00f3rcio em cart\u00f3rio se o casal tivesse filhos menores ou incapazes. Nessas situa\u00e7\u00f5es, o caminho obrigat\u00f3rio era o div\u00f3rcio judicial, para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o juiz analisassem quest\u00f5es como guarda, visitas e pens\u00e3o aliment\u00edcia. Mas isso mudou recentemente. 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