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Instagram notificou meu filho para apresentar alvará judicial. O que fazer?

Recebeu uma notificação do Instagram, TikTok ou YouTube exigindo alvará judicial? Entenda quando a autorização é necessária, quais são os riscos da não regularização e como funciona o procedimento.

Recebeu uma notificação para apresentar alvará judicial? Em muitos casos, as plataformas concedem prazo para a regularização da situação. Como a obtenção da autorização judicial depende de procedimento perante a Vara da Infância e da Juventude, deixar a providência para os últimos dias pode dificultar o cumprimento desse prazo e comprometer a continuidade da monetização.


Meu filho recebeu uma notificação da plataforma. Isso significa que há uma irregularidade?

Receber uma notificação do Instagram, TikTok, YouTube ou de outra plataforma solicitando a apresentação de alvará judicial costuma ser o primeiro sinal de que a atividade desenvolvida pela criança ou adolescente passou pelos mecanismos de verificação da plataforma. Isso não significa, necessariamente, que exista uma irregularidade, mas indica que a atividade merece uma análise jurídica cuidadosa.

A exigência decorre do novo cenário normativo formado pela Lei nº 15.211/2025 (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), pelo Decreto nº 12.880/2026 e pela Resolução CNJ nº 687/2026, que passaram a disciplinar de forma expressa a exploração econômica da imagem de crianças e adolescentes no ambiente digital. Nessas hipóteses, as plataformas podem exigir a comprovação do alvará judicial previsto no art. 149, II, do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A notificação significa que o alvará é realmente obrigatório?

Nem sempre.

A necessidade de autorização judicial depende das características concretas da atividade desenvolvida. Em regra, a análise considera se existe exploração econômica — direta ou indireta — da imagem da criança ou do adolescente, se essa participação ocorre de forma habitual e se ela constitui elemento central do conteúdo produzido.

É justamente essa avaliação que diferencia um perfil de uso estritamente familiar de uma atividade organizada de criação de conteúdo com finalidade econômica.

Mesmo quando não há pagamento direto pela plataforma, situações envolvendo publicidade, campanhas com marcas, permutas ou recebimento recorrente de produtos podem justificar uma análise mais aprofundada. Receber a notificação normalmente significa que a plataforma identificou elementos suficientes para exigir a comprovação da regularidade da atividade, razão pela qual adiar essa avaliação pode aumentar o risco de restrições antes mesmo da conclusão do procedimento judicial.

O que acontece se a família não apresentar o alvará?

O Decreto nº 12.880/2026 atribuiu às plataformas o dever de exigir a autorização judicial nas hipóteses previstas pela legislação.

Na prática, a ausência de regularização dentro do prazo estabelecido pode resultar na suspensão da monetização, na retirada dos conteúdos alcançados pela irregularidade e, em determinadas situações, no bloqueio do perfil em território nacional.

Esse aspecto merece atenção porque o procedimento judicial não é concluído de forma imediata. Assim, quando a família aguarda o encerramento do prazo concedido pela plataforma para somente então buscar orientação jurídica, a margem de atuação fica mais arriscada, especialmente quando existem contratos publicitários em andamento ou receita recorrente proveniente das redes sociais.

Como funciona a regularização?

O pedido de alvará judicial é apresentado perante a Vara da Infância e da Juventude competente, por intermédio de advogado, com a participação obrigatória do Ministério Público.

O objetivo da autorização não é impedir que crianças e adolescentes desenvolvam atividades no ambiente digital, mas assegurar que elas ocorram em conformidade com o princípio da proteção integral. Por essa razão, o magistrado analisa aspectos como a rotina escolar, a preservação da saúde e da privacidade, a carga horária da atividade e a proteção do patrimônio eventualmente constituído com os rendimentos obtidos.

Uma petição inicial tecnicamente bem estruturada, alinhada aos parâmetros da Resolução CNJ nº 687/2026, tende a reduzir exigências complementares e contribuir para uma tramitação mais eficiente, circunstância especialmente relevante quando existe prazo fixado pela plataforma.

Agir logo faz diferença

Na prática, é comum que famílias procurem orientação jurídica apenas depois da suspensão da monetização ou do bloqueio do perfil. Nessa etapa, entretanto, parte dos prejuízos já pode ter se concretizado.

Quando a análise jurídica é realizada logo após o recebimento da notificação, normalmente há mais tempo para avaliar se o alvará é efetivamente exigível, reunir a documentação necessária e adotar as medidas adequadas antes que a plataforma imponha restrições mais severas.

Diante da evolução legislativa e do aumento da fiscalização pelas plataformas, a notificação deve ser encarada como um indicativo de que a atividade precisa ser analisada sob a ótica do Estatuto da Criança e do Adolescente e da legislação específica aplicável ao ambiente digital.


Perguntas frequentes

Recebidos e permutas podem exigir alvará judicial?

Dependendo da frequência e da forma como a atividade é realizada, vantagens econômicas indiretas também podem ser consideradas na avaliação da exploração econômica da imagem da criança ou do adolescente.

É possível continuar produzindo conteúdo enquanto o pedido é analisado?

A resposta depende do conteúdo da notificação, das medidas adotadas pela plataforma e das particularidades do caso concreto. Justamente por isso, recomenda-se que a situação seja avaliada tão logo a comunicação seja recebida.


Este artigo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui a análise individualizada de um caso concreto.

Catarina Wodzik – OAB/MG 213.056

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